24.6.20

Na veiga ('Feridamorte' 6)





veiga frorida e prado deleitoso

que aos campiños do Edén se acomparara


—Rosalia de Castro



Deitada na erva mesta

húmida do relente

sinto correr o rio

mansinho, doce e alegre

rir o ar da primavera


O sol da manhá assoma

entre alvas nuvens leves

iguais ao meu vestido

melodia floresce 

suave ela da boca


Alcanço a tua cara

co bem-me-quer tam lene

por desfolhar contigo 

e esperto de repente

nom na veiga, na cama



by Eva Loureiro Vilarelhe



7.6.20

Eco silenciado ('Feridamorte' 5)





Como umha presa de areias na praia
as minhas esperanças diluem-se
tam rápido como te esqueces de mim

Tu que prometeras jamais te deixar vencer

Vencida eu
mas nunca derrotada
contenho a respiraçom

Submergida na banheira, ainda sinto 
o eco silenciado da tua voz, ressoando 
nos meus ouvidos qual lenga-lenga

Ainda que afogue, sei que seguirá aí 
perene
como o meu amor por ti


by Eva Loureiro Vilarelhe