17.5.26

Lambetada ('Poesia incompleta para dissidentes' 6)









A língua serve para comer

a língua serve para lamber

a língua serve para beijar

a língua serve para falar


Língua que nom come

morre esfameada


Língua que nom lambe

chora a lambetada


Língua que nom beija

acaba amuada


Língua que nom se fala

fica silenciada


Comamos e acabe o amuo! Beijemos 

e morra a fame! Falemos

que a nossa fala é-nos a lambetada!



Eva Loureiro Vilarelhe