26.4.26

Borbota ('Fogos de artifício' 9)






Agroma à minha boca,

a tua mao abrange

boa parte da coxa,

e engasga-se-me a frase.


Na entreperna borbota,

veludo cobre o glande,

a voz pom-se-me rouca:

já és sangue do meu sangue.


Sujar-te nom te importa:

—Sente-se mais suave,

dis e armas a liorta.

Concedo e viras grande.


Eu ignoro que estou porca

mentres lambes e lambes,

lembro os gregos e a força:

os antigos bem sabem.


Vás-te dentro e reborda:

o mar fai-se meirande.

Alheios ao de fora,

fico na mesma exangue.



Eva Loureiro Vilarelhe