Os meus cabelos,
fios de terra mesta,
nesses dias nublados.
Ora os meus olhos,
poços de auga cinzenta,
nesses dias molhados.
E os meus lábios,
corredoiras de gesta,
nesses dias mais claros.
—Nom és a mesma sempre…
—O mar nom é o mar sempre?
Verde embruxado,
nesses dias nublados.
Gris imantado,
nesses dias molhados.
Azul meigalho,
nesses dias mais claros.
Daquela acaba sendo
o meu coraçom, logo,
—mesmo cego— sábio.
