31.1.26

Chover ou nom chover ('Poesia incompleta para dissidentes' 5)









Lá fora a chover

cá dentro a chorar

do céu manam balas

corpos caem exangues

remeda os rios de sangue

meu ventre nas barricadas


Chover ou nom chover

a questom nunca será essa

os tempos andam revoltos 

nem presta numerar mortos 

a terra há reverdecer

o sangue acender pavesas 


Chover ou nom chover

chorar sempre a chorar

afinal pouco importa

de onde vier o vento 

chover ou nom lá fora

chorar na mesma cá dentro





             Eva Loureiro Vilarelhe